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Como dividir o 13º salário nas caixinhas do Fôlego antes de ele cair na conta

A lei já marcou as datas do 13º: o adiantamento até 30 de novembro e o restante até 20 de dezembro. Veja o passo a passo, com as telas reais do Fôlego, para dar destino a cada parte antes de o dinheiro cair na conta.

Duas pessoas dividindo moedas em potes de vidro sobre a mesa da cozinha, na luz do fim da tarde

Tente lembrar para onde foi o seu 13º salário do ano passado. Se a resposta foi um encolher de ombros, você tem boa companhia. O dinheiro entra de uma vez, cai no meio do salário, e se dissolve entre a ceia, o presente atrasado e a matrícula da escola. Em janeiro chegam o IPVA e o IPTU, e a sensação é de que aquele dinheiro nunca existiu.

O problema quase nunca é o valor. É a ordem. A maior parte das pessoas decide o destino do 13º depois que ele já está na conta, competindo com tudo o que aparecer pela frente. Este texto inverte essa ordem, e o calendário ajuda: a lei fixa as datas, então dá para dar nome a cada parte antes do depósito. Abaixo está o passo a passo dentro do Fôlego, com as telas reais, e o que cada passo muda na sua decisão de dinheiro.

Antes de qualquer tela: quanto do 13º é seu de verdade

O nome oficial do 13º é gratificação de Natal. A Lei 4.090, de 1962, define a conta: um doze avos da remuneração por mês de serviço no ano, e uma fração igual ou superior a 15 dias de trabalho vale como mês inteiro. Quem trabalhou o ano todo recebe o equivalente a um salário. Quem foi admitido em maio recebe a fração dos meses que cumpriu.

O pagamento vem em dois momentos. A Lei 4.749, de 1965, manda o empregador pagar, entre fevereiro e novembro, um adiantamento igual à metade do salário do mês anterior. O restante, já descontado esse adiantamento, sai até 20 de dezembro. Em 2026, esse dia 20 cai num domingo, então quem recebe por depósito costuma ver o dinheiro na conta até a sexta-feira anterior.

Aqui mora a armadilha de planejamento: as duas parcelas não são iguais. O adiantamento sai sem retenção de INSS nem de Imposto de Renda. Os descontos incidem sobre o 13º inteiro e são cobrados na quitação, ou seja, saem todos da segunda parte. Um exemplo redondo, com um salário de R$ 3.000 e o ano inteiro trabalhado: o 13º bruto fica em R$ 3.000, o adiantamento entrega R$ 1.500 cheios, e a segunda parcela parte dos outros R$ 1.500 e ainda absorve os descontos do valor todo. Quem planeja duas parcelas iguais erra justamente na que paga as contas de janeiro.

Passo 1: abra uma caixinha para cada destino, com nome e meta

No menu lateral, em Caixinhas, o botão Nova caixinha abre um formulário curto: Nome da caixinha, Conta associada, Meta de valor e Cor de identificação. A caixinha é o recurso que separa um valor dentro de uma conta que você já tem. A vantagem é não precisar abrir outra conta em outro banco só para não misturar. O benefício é que o dinheiro deixa de ser saldo genérico e passa a ter dono antes de você decidir qualquer coisa.

Tela Nova caixinha do Fôlego com os campos Nome da caixinha, Conta associada, Meta de valor e Cor de identificação

O campo que mais trabalha é a meta. Ela não é enfeite: é o que transforma um desejo vago em número conferível. Sem meta, você olha um valor guardado e não sabe se está adiantado ou atrasado. Com meta, a mesma tela responde isso sozinha. Vale a pena nomear as caixinhas pelo compromisso real, não pela categoria abstrata: contas de janeiro diz mais do que reserva, porque lembra a data em que o dinheiro vai embora.

Passo 2: escolha a conta em que esse dinheiro está de fato

Cada caixinha aparece na lista com o nome da conta associada logo acima do nome dela. Na tela abaixo, a caixinha Reserva de Emergência vive na Poupança Caixa, e a Presentes de Fim de Ano vive na Conta Nubank. No topo, o Total guardado soma tudo o que já tem destino.

Lista de caixinhas do Fôlego mostrando conta associada, percentual da meta e saldo de cada caixinha

Escolher a conta certa evita o erro mais comum de quem organiza dinheiro em pedaços: contar o mesmo valor duas vezes. Se você separa mentalmente o 13º na conta do salário, mas paga as contas de janeiro pelo débito de outro banco, o saldo de cada lado mente para você. Amarrar a caixinha à conta onde o dinheiro realmente está mantém as duas informações honestas, e a barra de progresso passa a valer alguma coisa.

Passo 3: reserve o valor no dia em que o dinheiro entrar

Quando o adiantamento cair, o botão Depositar da caixinha abre uma janela com o valor, uma descrição opcional e o espaço para anexar comprovante. Repare no aviso da própria tela: reserve um valor nesta caixinha, o saldo total da conta não muda.

Janela Depositar em uma caixinha do Fôlego, com campo de valor, descrição e aviso de que o saldo total da conta não muda

Essa frase explica a mecânica inteira. Não é uma transferência bancária, é uma separação contábil: o dinheiro continua no mesmo lugar, mas deixa de contar como disponível para o mês. É a versão digital do velho envelope de papel, e funciona pelo mesmo motivo psicológico. Dinheiro com nome é mais difícil de gastar por impulso do que dinheiro que aparece como sobra. O erro que o passo evita é o mais caro de todos: olhar o extrato em dezembro, ver um saldo inchado pelo 13º e concluir que o mês está folgado.

Passo 4: confira no extrato o que já entrou e o que só está agendado

O botão Extrato abre o histórico da caixinha mês a mês, com cada movimentação datada e o fechamento do período no rodapé. No exemplo abaixo, um aporte de R$ 500,00 marcado para 5 de setembro aparece com a etiqueta pendente, porque ainda não aconteceu.

Extrato de uma caixinha do Fôlego com um aporte de R$ 500,00 marcado como pendente e o resumo do mês

Distinguir o que já entrou do que está apenas programado parece detalhe, e não é. Contar como guardado um valor que ainda vai depender do salário do mês é a forma mais silenciosa de furar o próprio plano. A leitura correta do extrato é sempre esta: o que está confirmado é dinheiro, o que está pendente é intenção.

O que você passa a enxergar depois de configurar

Vale acompanhar a mudança com números pequenos. Imagine que o adiantamento de R$ 1.500 caia numa conta que já tinha R$ 3.000. Sem caixinha, a tela mostra R$ 4.500 e a cabeça lê folga. Com duas caixinhas, R$ 900 nas contas de janeiro e R$ 600 na reserva, a mesma tela passa a dizer outra coisa: R$ 3.000 disponíveis para viver o mês e R$ 1.500 com endereço definido. Se a caixinha das contas de janeiro tiver meta de R$ 1.800, a barra marca 50 por cento, e você já sabe o tamanho exato do que ainda falta.

Uma ressalva honesta: a caixinha organiza, ela não remunera o seu dinheiro. Ela mostra quanto está separado e para quê, e o rendimento continua sendo o da aplicação em que o valor está. Isso importa porque dinheiro parado perde poder de compra com o tempo: o IPCA, o índice oficial de inflação medido pelo IBGE, acumulou 4,44 por cento nos doze meses até julho de 2026. Onde deixar o dinheiro que vai esperar até janeiro é uma decisão de investimento, depende do seu prazo e do seu perfil, e nenhum aplicativo decide isso por você.

O próximo passo, ainda hoje

Você não precisa esperar o depósito para começar. Abra uma caixinha com o nome de uma conta de janeiro que você já sabe que vem, o IPVA, o material escolar ou o seguro do carro, coloque a meta no valor que pagou no ano passado e associe à conta em que o salário cai. Quando o adiantamento entrar, até 30 de novembro, o destino já vai estar decidido, e a única tarefa vai ser abrir o Fôlego e depositar. Decidir com o dinheiro na mão é sempre mais difícil do que decidir com a data no calendário.

Mini-glossário

  • Gratificação de Natal: o nome legal do 13º salário, calculado em um doze avos da remuneração por mês trabalhado no ano.
  • Adiantamento: a primeira parte do 13º, equivalente à metade do salário do mês anterior, paga entre fevereiro e novembro e sem desconto de INSS ou Imposto de Renda.
  • Quitação: o pagamento do restante do 13º, até 20 de dezembro, já com os descontos que incidem sobre o valor inteiro.
  • Caixinha: no Fôlego, a divisão que separa um valor dentro de uma conta existente, com nome e meta, sem alterar o saldo total dessa conta.
  • Meta: o valor de referência da caixinha, que faz o aplicativo mostrar em porcentagem quanto do objetivo já foi guardado.
  • Lançamento pendente: uma movimentação registrada para uma data futura, que ainda não entrou no saldo confirmado.

Fontes

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